quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Acorde
Ei, acorde!
Não prenda a respiração
Volte!
Volte logo!
Ainda não é o fim.
Não se deixe entregar num rompante.
Acorde logo!
Quanto mais tempo inerte
Menos vida em seu sangue.
Esteja de pé
Sempre de pé e olhar erguido.
Encare tudo com garra
Não tema o precipício
Não se deixe levar
Encare, encare o céu
E viva, não durma.
Não se separe de você.
Ainda encontrará o seu número.
Ei, acorde!
Esse pesadelo irá acabar.
Mesmo que distante pareça
Mesmo que o pesadelo não tenha fim
Mesmo que lágrimas insistam em rolar
Mesmo que desanime
E mesmo que desamparado sinta
Acorde!
Veja quão belo está o dia
Saia, passeie, divirta-se
Isso parece sem propósito?
Não! Ainda não é o fim.
Encare o céu
Há de se encontrar na imensidão do azul.
Ei, acorde!
Mais vida.
Mais sorriso.
Mais coragem.
E se o mundo insistir em desmoronar
Acorde.
Não tema o precipício.
A história só está começando.
Ainda há muito chão pra rodar.
Acorde!
E volte para si.
Volte para continuar e ser feliz.
Letícia Andreia
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Polidez
Discutivelmente superficial.
É nada.
É formal.
É virtude de etiqueta.
É virtude de aparato.
É ambígua:
esconde-se nela
o melhor e o pior.
Qualidade formal
necessária aos homens.
Não diga isso.
Não faça aquilo.
Não também ao acolá.
É feio.
É sujo.
É inadequado.
Resume-se à coleira humana.
Os cães não necessitam da polidez.
Os homens sim!
Pode parecer crime se não o for.
O homem que não é
encontra-se insensato e...
logo...
sozinho.
Agora entendo porque o cão
é o melhor amigo do homem.
Encontro em meus cães
tal comportamento polido.
Vejo, logo, que o cão é o espelho.
Espelho de seu dono.
É o não.
E o não.
E aqui não.
Aprende-se fácil.
Depois,
difícil é não sê-lo.
Letícia Andreia
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Mais uma onda
Onda que anda e ronda
Onda que bate e vem
E vai e vem
Onda que tira onda
De onde a onda vem
Onda que me ronda
E anda rondando bem
Onda que de sete em sete
Eu conto a fartura que tem
Um dia falei da onda
Mas já não me lembro bem
Li hoje uma outra onda
E na pena outra onda vem.
Letícia Andreia
Onda que bate e vem
E vai e vem
Onda que tira onda
De onde a onda vem
Onda que me ronda
E anda rondando bem
Onda que de sete em sete
Eu conto a fartura que tem
Um dia falei da onda
Mas já não me lembro bem
Li hoje uma outra onda
E na pena outra onda vem.
Letícia Andreia
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Tentativas
Tentei escrever poemas profundos
Para pessoas profundas
De nada adiantou o não ser
O ser me corrompe a nada
E quanto mais leio poemas do mundo
Mais sórdida é minha poesia
Tentei escrever para quem lê
Algo que ainda não tinha sido lido
De nada adiantou os dedos em vão no teclado
A alma de poeta está incompleta
Vazia
( )
E as palavras permanecem banais
Com um despropósito qualquer
Tentei reorganizar antigas palavras
Para desgastá-las num sentido completo
Que missão dolorosa essa minha
O vazio dói quando toma conta a passagem do tempo.
Tentei escrever poemas descompromissados
Poemas chulos
Poemas de ais
Poemas de amor
Para pessoas do mundo
De nada adiantou tanto ser
A alma de poeta continua incompleta
Vazia
( )
E as palavras permanecem no sótão
Perdidas
Desconectadas
Tentei reorganizar histórias alheias
Silêncio profundo
Dói mais Dói mais quando olho o outro
Tentei cantar o cântico das almas
Tentei expor os meus sentimentos
Casulo. Nulo.
Letícia Andreia
Para pessoas profundas
De nada adiantou o não ser
O ser me corrompe a nada
E quanto mais leio poemas do mundo
Mais sórdida é minha poesia
Tentei escrever para quem lê
Algo que ainda não tinha sido lido
De nada adiantou os dedos em vão no teclado
A alma de poeta está incompleta
Vazia
( )
E as palavras permanecem banais
Com um despropósito qualquer
Tentei reorganizar antigas palavras
Para desgastá-las num sentido completo
Que missão dolorosa essa minha
O vazio dói quando toma conta a passagem do tempo.
Tentei escrever poemas descompromissados
Poemas chulos
Poemas de ais
Poemas de amor
Para pessoas do mundo
De nada adiantou tanto ser
A alma de poeta continua incompleta
Vazia
( )
E as palavras permanecem no sótão
Perdidas
Desconectadas
Tentei reorganizar histórias alheias
Silêncio profundo
Dói mais Dói mais quando olho o outro
Tentei cantar o cântico das almas
Tentei expor os meus sentimentos
Casulo. Nulo.
Letícia Andreia
Era...
E era a vida arcada de mimos
E era o estudo com seus compromissos
E era o amor em seu princípio
E era a ilusão montada a cavalo
E era a desilusão a chegar sorrateira
E era o momento o mais importante
E era o ser o ter que ser
E era o amanhã que chegava depressa
E era o silêncio que valia ouro
E era o jogo no fim da vida
E era a vida necessitada
E era a crise já não temida
E era o lar tão improvisado
E era o filho que nunca chegava
E era o blefe nas contas da vida
E era o ano que sempre virava
E era a água que não acabava
E era a casa desarrumada
E era o silêncio tão necessário
E era um a mais já falecido
E era um túmulo a ser visitado
E era a saudade amarrada no peito
E era uma história pra plantar na memória.
Letícia Andreia
,
E era o estudo com seus compromissos
E era o amor em seu princípio
E era a ilusão montada a cavalo
E era a desilusão a chegar sorrateira
E era o momento o mais importante
E era o ser o ter que ser
E era o amanhã que chegava depressa
E era o silêncio que valia ouro
E era o jogo no fim da vida
E era a vida necessitada
E era a crise já não temida
E era o lar tão improvisado
E era o filho que nunca chegava
E era o blefe nas contas da vida
E era o ano que sempre virava
E era a água que não acabava
E era a casa desarrumada
E era o silêncio tão necessário
E era um a mais já falecido
E era um túmulo a ser visitado
E era a saudade amarrada no peito
E era uma história pra plantar na memória.
Letícia Andreia
,
Bagagem desnecessária para a morte:
Inveja
Casa
Carro
Sítio
Ilusão
Avareza
Dinheiro
Ira
Inimigos
Trabalho
Medo
Luxúria
Roupas
Estudos
Nome
E sobrenome
Preguiça
Telefone
E solidão
Passaporte
Internet
Soberba
Poder
Gula
Doces
Bebidas
Massas
Carnes
Dietas
E silêncio.
Letícia Andreia
Casa
Carro
Sítio
Ilusão
Avareza
Dinheiro
Ira
Inimigos
Trabalho
Medo
Luxúria
Roupas
Estudos
Nome
E sobrenome
Preguiça
Telefone
E solidão
Passaporte
Internet
Soberba
Poder
Gula
Doces
Bebidas
Massas
Carnes
Dietas
E silêncio.
Letícia Andreia
Papelão
Das brincadeiras de criança
Se faz aquela mulher
Nua dos preconceitos
Carrega seu carro
Carregado de papelão
E ora
E roga
E chora
E ri
E faz a hora gotejar
Seus dia úteis
Inúteis
Pela cidade afora
Das brincadeiras de criança
Abandonada no jardim
Jaz em ti
No teu túmulo
Transeunte ou vagante?
Os sonhos de uma bela mulher
Que roga
Que ora
Que chora
Que ri
Que faz e desfaz
Os sonhos de criança
Moça-mulher
Agora és
Apenas o túmulo
De teus sonhos
Sonhos de qualquer um.
Letícia Andreia
Se faz aquela mulher
Nua dos preconceitos
Carrega seu carro
Carregado de papelão
E ora
E roga
E chora
E ri
E faz a hora gotejar
Seus dia úteis
Inúteis
Pela cidade afora
Das brincadeiras de criança
Abandonada no jardim
Jaz em ti
No teu túmulo
Transeunte ou vagante?
Os sonhos de uma bela mulher
Que roga
Que ora
Que chora
Que ri
Que faz e desfaz
Os sonhos de criança
Moça-mulher
Agora és
Apenas o túmulo
De teus sonhos
Sonhos de qualquer um.
Letícia Andreia
Futeboléxico
Brigamiopia
Bebidagressividade
Ilusiotopia
Insultoterapia
Inimigosofia
Perdadetempismo
Decepcionismo
Contagiofutebolismo
Letícia Andeia
Bebidagressividade
Ilusiotopia
Insultoterapia
Inimigosofia
Perdadetempismo
Decepcionismo
Contagiofutebolismo
Letícia Andeia
Natureza
A natureza parece negligente
Ela insiste em continuar vivendo
Por maior que seja o esforço
Do homem em destruí-la.
Ouço uma serra elétrica compondo o nada
Trabalha incansavelmente na alegria de derrubar
Os pássaros perdem suas moradias
E vagueiam sobre os homens.
Os troncos já não dizem mais o que estão fazendo
- não dão conta.
Mas ainda sabemos o que estamos
Fazendo com a natureza.
Quem vai recitar o amanhecer para mim
Depois que a festa acabar?
Letícia Andreia
Ela insiste em continuar vivendo
Por maior que seja o esforço
Do homem em destruí-la.
Ouço uma serra elétrica compondo o nada
Trabalha incansavelmente na alegria de derrubar
Os pássaros perdem suas moradias
E vagueiam sobre os homens.
Os troncos já não dizem mais o que estão fazendo
- não dão conta.
Mas ainda sabemos o que estamos
Fazendo com a natureza.
Quem vai recitar o amanhecer para mim
Depois que a festa acabar?
Letícia Andreia
Qual o preço?
O som dos pássaros pela manhã,
Não tem preço.
O som da chuva sem tragédia,
Não tem preço.
O calor do sol sem exagero,
Não tem preço.
A brisa leve sem poluição,
Não tem preço.
A natureza em cápsulas
Que encontramos nas farmácias
Para cura de muitos males
Do corpo e da alma...
Não tem preço.
O sorriso de um transeunte descompromissado,
Não tem preço.
O choro de uma criança ao nascer,
Não tem preço.
O brilho no olhar de um amante,
Não tem preço.
Não tem preço a vida que se leva
E o que se leva da vida é nada ao partir.
Letícia Andreia
Não tem preço.
O som da chuva sem tragédia,
Não tem preço.
O calor do sol sem exagero,
Não tem preço.
A brisa leve sem poluição,
Não tem preço.
A natureza em cápsulas
Que encontramos nas farmácias
Para cura de muitos males
Do corpo e da alma...
Não tem preço.
O sorriso de um transeunte descompromissado,
Não tem preço.
O choro de uma criança ao nascer,
Não tem preço.
O brilho no olhar de um amante,
Não tem preço.
Não tem preço a vida que se leva
E o que se leva da vida é nada ao partir.
Letícia Andreia
terça-feira, 18 de outubro de 2011
Cegueira
Seu Tonico estava cabisbaixo hoje
Disse que o olhar do cego estava mais triste
Não conseguiu vencer a morte no seu fio de sono
A dor se ser semente e exemplo doía mais que os outros dias
Do coito com a cegueira nasceu uma felicidade intocável
de ver o mundo com outros olhos - os olhos da alma -
E isso Seu Tonico não entendia ( ou não queria saber)
Do alto da sua perfeição Seu Tonico não compreendia
A complexidade daquele mundo tão simples - tão puro
Atou-se ao rosário de piedade e dedicou uma toada melancólica
Ele jamais entenderá que não só de olhares vive um homem
Mas de muitas palavras - mesmo que não ditas
Perguntei-me: - De quem afinal seria a cegueira?
Letícia Andreia
Disse que o olhar do cego estava mais triste
Não conseguiu vencer a morte no seu fio de sono
A dor se ser semente e exemplo doía mais que os outros dias
Do coito com a cegueira nasceu uma felicidade intocável
de ver o mundo com outros olhos - os olhos da alma -
E isso Seu Tonico não entendia ( ou não queria saber)
Do alto da sua perfeição Seu Tonico não compreendia
A complexidade daquele mundo tão simples - tão puro
Atou-se ao rosário de piedade e dedicou uma toada melancólica
Ele jamais entenderá que não só de olhares vive um homem
Mas de muitas palavras - mesmo que não ditas
Perguntei-me: - De quem afinal seria a cegueira?
Letícia Andreia
domingo, 25 de setembro de 2011
Brasil
Um Brasil brasileiro
Que encanta a todo estrangeiro
Que da terra saboreia tudo o que dá.
Um Brasil bem brasileiro
Com origens mil e povo hospitaleiro.
Um Brasil de aves raras e silvestres.
Exótico é o meu Brasil
Encanto e berço multicor
De regiões fartas de forte cultura
E comidas de muito sabor.
O Brasil que gosto me dá:
Frutas do Norte
Açaí, abricó, araçá,
Bacaba, bacuri, biribá,
Fruta-pão, carambola, cajá,
Graviola e ingá.
Jambo, jenipapo, mangaba,
Pinha, sapoti, pitomba e piquiá.
Tamarindo, tucumã e uxi.
Do Sul o churrasco saboroso
Ganha em todo o Brasil.
Das matas de araucárias
A imbuia, a erva-mate e
O pinheiro-do-paraná.
Alemães, italianos, poloneses e ucranianos
Região mais forte que esta
No Brasil não há.
Região Sudeste:
Orgulho-me de ser de cá.
Pão de queijo – leite – café
Pro lanche das cinco melhor não dá.
No Rio de Janeiro nossas praias e mares
Cartão postal do Brasil.
No interior, os mares de montanhas
Das nossas Minas Gerais –
Terra do ouro e povo desconfiado.
Em Sampa as melhores indústrias
E muito trabalho.
Na Região Centro-Oeste
Mesa farta em pesca.
As cores, a fauna e a flora do Pantanal
Não há nada igual.
Carnes saborosas:
Catítu, cobra e porco do mato,
Capivara, paca e veado.
Terra de danças, violeiros e viola.
Do Nordeste gosto bem
Muito coco, samba de roda, baião,
Forró, xote e chachado.
Literatura de cordel lá é forte
E os artistas de lá
No Brasil têm muita sorte.
Chapada Diamantina e do Araripe
Grande sertão e seca também há lá.
Brasil
Bem Brasil brasileiro
Venha também estrangeiro
Saborear tudo que nossa terra dá.
Letícia Andreia
Que encanta a todo estrangeiro
Que da terra saboreia tudo o que dá.
Um Brasil bem brasileiro
Com origens mil e povo hospitaleiro.
Um Brasil de aves raras e silvestres.
Exótico é o meu Brasil
Encanto e berço multicor
De regiões fartas de forte cultura
E comidas de muito sabor.
O Brasil que gosto me dá:
Frutas do Norte
Açaí, abricó, araçá,
Bacaba, bacuri, biribá,
Fruta-pão, carambola, cajá,
Graviola e ingá.
Jambo, jenipapo, mangaba,
Pinha, sapoti, pitomba e piquiá.
Tamarindo, tucumã e uxi.
Do Sul o churrasco saboroso
Ganha em todo o Brasil.
Das matas de araucárias
A imbuia, a erva-mate e
O pinheiro-do-paraná.
Alemães, italianos, poloneses e ucranianos
Região mais forte que esta
No Brasil não há.
Região Sudeste:
Orgulho-me de ser de cá.
Pão de queijo – leite – café
Pro lanche das cinco melhor não dá.
No Rio de Janeiro nossas praias e mares
Cartão postal do Brasil.
No interior, os mares de montanhas
Das nossas Minas Gerais –
Terra do ouro e povo desconfiado.
Em Sampa as melhores indústrias
E muito trabalho.
Na Região Centro-Oeste
Mesa farta em pesca.
As cores, a fauna e a flora do Pantanal
Não há nada igual.
Carnes saborosas:
Catítu, cobra e porco do mato,
Capivara, paca e veado.
Terra de danças, violeiros e viola.
Do Nordeste gosto bem
Muito coco, samba de roda, baião,
Forró, xote e chachado.
Literatura de cordel lá é forte
E os artistas de lá
No Brasil têm muita sorte.
Chapada Diamantina e do Araripe
Grande sertão e seca também há lá.
Brasil
Bem Brasil brasileiro
Venha também estrangeiro
Saborear tudo que nossa terra dá.
Letícia Andreia
Solidão
A solidão me consome aos poucos
Já não tenho assunto para os outros
Estou vazia das mesmices
A poesia dominou-me
E meus lábios não se movem
As palavras estão gastas – desbotadas.
Rasgadas pelo uso incontínuo do lirismo
Tudo isso parece tão igual
Desfaço meus versos para repensá-los
Nada obtenho – escassez do pensamento poético
E a solidão me consome
A cada dia mais só
Mais pó
Mais eu.
Letícia Andreia
Já não tenho assunto para os outros
Estou vazia das mesmices
A poesia dominou-me
E meus lábios não se movem
As palavras estão gastas – desbotadas.
Rasgadas pelo uso incontínuo do lirismo
Tudo isso parece tão igual
Desfaço meus versos para repensá-los
Nada obtenho – escassez do pensamento poético
E a solidão me consome
A cada dia mais só
Mais pó
Mais eu.
Letícia Andreia
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Rotina das férias
Verticalizei as sete e quarenta e cinco
Nem mais
Nem menos
Exatos.
Impressionante!
A poesia dos pássaros
Entoava o canto melancólico...
O sol ainda não saíra.
E eu... Já de pé
A trocar as fraldas da casa.
O sol espreguiçava seus raios
Pelos vazios das nuvens chumbo.
O anjo entregava-se ao sono profundo
No leito de amor.
E nem mesmo o tilintar do martelo
Na construção vizinha
O fazia desintoxicar-se do ébrio sono.
A primeira fralda a ser trocada
Foi a do canil.
As cadelas corriam para o portão
A dar seu bom dia à rua.
Os homens caminhavam automaticamente
Para suas rotinas...
E eu, agonizava poesia
Entre um balde de água e outro
Pelo lápis e retalho de papel.
Os pardais insistiam em dar
Bom dia ao preguiçoso sol.
As cadelas mal se importavam
Com o mundo cão que lavrava lá fora.
E brincavam...
E enamoravam a rua...
E sentiam-se imensamente felizes.
Um galo atrasado canta.
As aves realmente se importam
E imploram pelos raios de sol.
Duas horas mais tarde...
Fraldas da casa trocadas
Cadelas limpas
E alimentadas.
É hora do almoço.
Desenho o cheiro da comida mineira
E toco em frente a rotina das férias.
Letícia Andreia
Nem mais
Nem menos
Exatos.
Impressionante!
A poesia dos pássaros
Entoava o canto melancólico...
O sol ainda não saíra.
E eu... Já de pé
A trocar as fraldas da casa.
O sol espreguiçava seus raios
Pelos vazios das nuvens chumbo.
O anjo entregava-se ao sono profundo
No leito de amor.
E nem mesmo o tilintar do martelo
Na construção vizinha
O fazia desintoxicar-se do ébrio sono.
A primeira fralda a ser trocada
Foi a do canil.
As cadelas corriam para o portão
A dar seu bom dia à rua.
Os homens caminhavam automaticamente
Para suas rotinas...
E eu, agonizava poesia
Entre um balde de água e outro
Pelo lápis e retalho de papel.
Os pardais insistiam em dar
Bom dia ao preguiçoso sol.
As cadelas mal se importavam
Com o mundo cão que lavrava lá fora.
E brincavam...
E enamoravam a rua...
E sentiam-se imensamente felizes.
Um galo atrasado canta.
As aves realmente se importam
E imploram pelos raios de sol.
Duas horas mais tarde...
Fraldas da casa trocadas
Cadelas limpas
E alimentadas.
É hora do almoço.
Desenho o cheiro da comida mineira
E toco em frente a rotina das férias.
Letícia Andreia
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
.
Meus olhos
nos teus olhos
encontram:
a sabedoria
o amigo
o amante.
Meus braços
nos teus abraços
encerram:
o desejo
o carinho
o apego.
Meu mundo
no teu mundo
entrelaça:
a maturidade
a juventude
a união.
Letícia Andreia
nos teus olhos
encontram:
a sabedoria
o amigo
o amante.
Meus braços
nos teus abraços
encerram:
o desejo
o carinho
o apego.
Meu mundo
no teu mundo
entrelaça:
a maturidade
a juventude
a união.
Letícia Andreia
Poucas palavras
O guardador de águas
surpreendeu-me sentada à beira do rio.
Indagou à margem
qual era a minha sina.
O silêncio cristalizou o segundo.
Compreendeu, então,
a dor da solidão.
Letícia Andreia
surpreendeu-me sentada à beira do rio.
Indagou à margem
qual era a minha sina.
O silêncio cristalizou o segundo.
Compreendeu, então,
a dor da solidão.
Letícia Andreia
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Lembrança
Lembrança é madrasta comigo
Carrega mato de memória adentro
Criança não deseja entrar
Memória deu empurrão
Pro eu perder na mata do passado
Presente ficou perdido
Sem chão para pisar
Não gosto de lembranças
Elas são atrevidas comigo
Entram sem avisar
Bagunçam a casa
E, depois...
Depois?
Começa tudo outra vez.
Letícia Andreia
Carrega mato de memória adentro
Criança não deseja entrar
Memória deu empurrão
Pro eu perder na mata do passado
Presente ficou perdido
Sem chão para pisar
Não gosto de lembranças
Elas são atrevidas comigo
Entram sem avisar
Bagunçam a casa
E, depois...
Depois?
Começa tudo outra vez.
Letícia Andreia
Incontinência poética
Incontinência poética.
- disse isso ao acaso.
Doutor, esse poeta sofre
De uma grave incontinência poética.
Sua mente febril delira
E a necessidade de liberar poesia
Emana pelos poros da caneta
E suja o papel
- que não reclama.
- É grave – diz o doutor – Não há
O que fazer senão deixá-lo escrever
Escrever escrever escrever
Sua incurável incontinência poética.
Letícia Andreia
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Murmúrio
Ouça o murmúrio surdo
De um coração calado.
É valente!
Quem não o é
Quando fala o coração.
Um covarde desertou
Seu coração para verme.
Que pena!
Um covarde a mais na vida frustrada.
Um guerreiro amordaçou seus ouvidos
Para que não ouvisse a voz da razão.
Esse é feliz!
Letícia Andreia
Crepúsculo
Espero ardentemente o crepúsculo
Da minha vida.
Foi uma vida inteira que não tive,
Um vasto campo a ganhar,
Mas as horas, traiçoeiras,
Faltaram-me no momento “H”.
Agora? O que me resta?
Lembranças...
Nostalgias...
Tudo apagado.
Até mesmo o afago ficou no sótão
-quieto, apagado sem me encontrar.
De onde venho?
Onde estou?
O que me resta?
Para onde vou?
Fluir levemente qual bruma no lago?
Oh!, não, não faça de minha alma
Um mundo tão vasto
Que não se pode alcançar.
Quero viver.
Deixe-me viver.
Oh! Vírus, ingrato, fúnebre
Que enlouquece a humanidade.
Rastreio o sótão e... nada.
Nada encontro,
Nada consigo.
Só o sopro de minha ardente alma
Num grito brando de desafio.
Oh! Vida, onde andarás?
Depois da morte.
Não!
“O show deve continuar!”
Letícia Andreia
Equipe
admiro o trabalho em equipe
por isso admiro as formigas
fico na janela da cozinha
observando como elas se equilibram
no fio do poste
atravessam de uma árvore para outra por ele
costumam andar em grupo e,
quando uma vai e outro grupo vem,
tiram a sorte no par ou ímpar
quem passa por cima e quem passa por baixo do fio
as três passaram por baixo
e aquela - solitária - continuou
é assim a todo momento
o dia inteiro
formiga vai...
...formigas vêm
dizem que fazem morada no oco das árvores
fiquei pensando naquelas que cuidam do lar.
coitadas.
por isso admiro as formigas
fico na janela da cozinha
observando como elas se equilibram
no fio do poste
atravessam de uma árvore para outra por ele
costumam andar em grupo e,
quando uma vai e outro grupo vem,
tiram a sorte no par ou ímpar
quem passa por cima e quem passa por baixo do fio
as três passaram por baixo
e aquela - solitária - continuou
é assim a todo momento
o dia inteiro
formiga vai...
...formigas vêm
dizem que fazem morada no oco das árvores
fiquei pensando naquelas que cuidam do lar.
coitadas.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Ainda não terminado:
Toc Toc Toc...
Peço permissão para parafrasear...
esse amor incorrigível
tão assim, romântico,
perdido nas ilusões ...
é o fogo ardido que não vemos
é a chaga aberta a nos martirizar
é a dor contente em amar sem ser
é a migalha do pão
ou o toque da mão
um sorriso meio torto, que seja,
mas é o amor...mesmo incorrigível...
e ainda que eu desenrolasse essa língua
e os nós desse amor eu desatasse
ah..eu nada entenderia
mesmo que bíblico
mesmo que poético
mesmo que amor...
é o amor: "fogo que arde sem se ver"...
mais contrario a si, amor,
é o coração que o sente.
Letícia Andreia
Toc Toc Toc...
Peço permissão para parafrasear...
esse amor incorrigível
tão assim, romântico,
perdido nas ilusões ...
é o fogo ardido que não vemos
é a chaga aberta a nos martirizar
é a dor contente em amar sem ser
é a migalha do pão
ou o toque da mão
um sorriso meio torto, que seja,
mas é o amor...mesmo incorrigível...
e ainda que eu desenrolasse essa língua
e os nós desse amor eu desatasse
ah..eu nada entenderia
mesmo que bíblico
mesmo que poético
mesmo que amor...
é o amor: "fogo que arde sem se ver"...
mais contrario a si, amor,
é o coração que o sente.
Letícia Andreia
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Hoje, meu amigo Gilberto Vaz de Melo, postou-me algo intrigante.
Nada que eu não pense todos os dias...mas jamais alguém havia me dito meu próprio pensamento.
Vejam:
“Todos esses que aí estão atravancando “seu caminho”, eles passarão...
“você”, passarinho!!! (Mário Quintana)”
Inevitavelmente...o diálogo surgiu...
E num toque intertextual saiu do sótão o passarinho...
Eu, passarinho,
Da torre alta do meu ninho
Observo, eles, passarando
E eu tão sempre passarinho.
Cá do alto digo que estou
Não pela grandeza que julgo possuir
Mas sim da minha pequenez
Pequenez de passarinho.
E é só do alto
Do bem alto do meu ninho
Que vejo o quanto eles passarão
Porque eu apenas passarinho.
Não que estejam
Atravancando meu caminho
Não, porque somente eu
Euzinho
Do meu pequeno passarinho
Atravanco meu próprio caminho
Pois da minha inocência perdida
Quando distante estou do meu ninho.
Enquanto eles, passarando,
Querendo meu destruir meu quente ninho
Não sabem as penas, que duras foram
Pra fazer meu próprio ninho.
Eles, que passarando,
Desejosos do meu humilde ninho
Tramam injúrias impróprias
Da minha curta vida de passarinho.
E quanto mais passarão passarando
Cuidando de eu passarinho
Edifico e cresço
Na mais alta árvore
O meu aconchegante ninho.
Letícia Andreia
Nada que eu não pense todos os dias...mas jamais alguém havia me dito meu próprio pensamento.
Vejam:
“Todos esses que aí estão atravancando “seu caminho”, eles passarão...
“você”, passarinho!!! (Mário Quintana)”
Inevitavelmente...o diálogo surgiu...
E num toque intertextual saiu do sótão o passarinho...
Eu, passarinho,
Da torre alta do meu ninho
Observo, eles, passarando
E eu tão sempre passarinho.
Cá do alto digo que estou
Não pela grandeza que julgo possuir
Mas sim da minha pequenez
Pequenez de passarinho.
E é só do alto
Do bem alto do meu ninho
Que vejo o quanto eles passarão
Porque eu apenas passarinho.
Não que estejam
Atravancando meu caminho
Não, porque somente eu
Euzinho
Do meu pequeno passarinho
Atravanco meu próprio caminho
Pois da minha inocência perdida
Quando distante estou do meu ninho.
Enquanto eles, passarando,
Querendo meu destruir meu quente ninho
Não sabem as penas, que duras foram
Pra fazer meu próprio ninho.
Eles, que passarando,
Desejosos do meu humilde ninho
Tramam injúrias impróprias
Da minha curta vida de passarinho.
E quanto mais passarão passarando
Cuidando de eu passarinho
Edifico e cresço
Na mais alta árvore
O meu aconchegante ninho.
Letícia Andreia
Zum zum zum
Zum zum zum
Tá no mio do nada
Atalho registrado em ata
Zum zum zum
Tá no cheio
E no meio do peito
Tum Tum Tum
Tá no batuque da caixa de bronze
Tá no passo
No passo
No passo
Zum Tum zum
Tum zum Tum
O quebra silêncio se envergonhou
De nunca ter sido
O queixo do queixo do mato
Abre a mata e o coração
No zun zum zum
Perdi-me da razão
No Tum Tum Tum
Anda que anda o coração
E o romance que não há
O coração não está
Emoção por vir a chegar
Tum Tum Tum
Zum zumzum
Tá no meio do nada.
Letícia Andreia
Zum zum zum
Tá no mio do nada
Atalho registrado em ata
Zum zum zum
Tá no cheio
E no meio do peito
Tum Tum Tum
Tá no batuque da caixa de bronze
Tá no passo
No passo
No passo
Zum Tum zum
Tum zum Tum
O quebra silêncio se envergonhou
De nunca ter sido
O queixo do queixo do mato
Abre a mata e o coração
No zun zum zum
Perdi-me da razão
No Tum Tum Tum
Anda que anda o coração
E o romance que não há
O coração não está
Emoção por vir a chegar
Tum Tum Tum
Zum zumzum
Tá no meio do nada.
Letícia Andreia
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Foram três ais.
Ai! Ai! Ai!
No ai primeiro,
Viu-se o homem ainda menino.
Recém saído de suas fraldas.
Engatinhando
Depois andando
E então falando.
Sapecando suas peraltices pelos quatro cantos da terra.
No segundo ai,
O homem já se desnudara para o mundo
E as coisas da terra
Viram-se descobertas
As peraltices ganharam novo prumo
E ai daquele que em seu caminho travasse línguas.
De tudo era um desbravador
De todos sentia-se superior
Conquistou bens
Realizou sonhos
Plantou uma árvore
Plantou um filho
Plantou um livro.
Sentou-se na plenitude do saber
Sentiu-se o dono das verdades
Sentiu-se o encantador das mentiras.
No ai terceiro,
Gastou tudo o que tinha,
Perdeu seus bens mais valiosos:
O amor
Os amigos
A família.
Sentiu-se só
Desamparado
Quis retroceder
Mas o tempo
Ai!
O tempo não para
Dilacera em verrugas a alma
E desse ai,
Tornou-se maduro
Sentiu-se pronto.
E já era hora
Não haveria tempo pra mais um ai
De quando em quando
As lembranças vinhas lhe povoar
Derramou lágrimas pelo tempo perdido.
Nesse ai terceiro,
Aprendeu o verdadeiro valor das pessoas.
E ai que chegou a hora do juízo final.
Dos três ais
Guardou as experiências
De nada terreno levou
E ai que se arrependesse de tudo
E ai que virasse humano
E ai que partiu sem pranto.
Letícia Andreia
Ai! Ai! Ai!
No ai primeiro,
Viu-se o homem ainda menino.
Recém saído de suas fraldas.
Engatinhando
Depois andando
E então falando.
Sapecando suas peraltices pelos quatro cantos da terra.
No segundo ai,
O homem já se desnudara para o mundo
E as coisas da terra
Viram-se descobertas
As peraltices ganharam novo prumo
E ai daquele que em seu caminho travasse línguas.
De tudo era um desbravador
De todos sentia-se superior
Conquistou bens
Realizou sonhos
Plantou uma árvore
Plantou um filho
Plantou um livro.
Sentou-se na plenitude do saber
Sentiu-se o dono das verdades
Sentiu-se o encantador das mentiras.
No ai terceiro,
Gastou tudo o que tinha,
Perdeu seus bens mais valiosos:
O amor
Os amigos
A família.
Sentiu-se só
Desamparado
Quis retroceder
Mas o tempo
Ai!
O tempo não para
Dilacera em verrugas a alma
E desse ai,
Tornou-se maduro
Sentiu-se pronto.
E já era hora
Não haveria tempo pra mais um ai
De quando em quando
As lembranças vinhas lhe povoar
Derramou lágrimas pelo tempo perdido.
Nesse ai terceiro,
Aprendeu o verdadeiro valor das pessoas.
E ai que chegou a hora do juízo final.
Dos três ais
Guardou as experiências
De nada terreno levou
E ai que se arrependesse de tudo
E ai que virasse humano
E ai que partiu sem pranto.
Letícia Andreia
domingo, 27 de setembro de 2009
O rato de esgoto,
Grande, gordo, dentuço...
Que ronda alegre
Meu triste fim.
No túmulo jaz
Minha história.
E a vida que aqui vivi.
Ficou o exemplo do que não fui.
Sou apenas o espírito que ronda,
Ronda, ronda e rói.
O rato do túmulo...
Sozinho,
Acompanhando os vermes.
Dilacerantes na carne morta.
Mas a alma,
Que jaz alma,
Agora liberta procura a paz.
Espírito.
Letícia Andreia
Para Marília Abduani
Para grande amiga, Marília Abduani.
Marília, Marília
É um som
Uma certa melodia
É pura poesia!
Marília,
Que do sonho conduz à realidade
E da realidade ao sonho...
Que lágrimas não vejo
E se existem, são diamantes.
Qual dor é a sua?
Ou onde ela se esconde?
Que não posso senti-la.
Apenas a poesia!
Marília, Marília...
Daí não sei se finge ou finjo
Se corre ou fujo
Se perto ou longe...
Quero ficar de você...
O eco da poetisa,
Por onde devo procurar?
Nem sei se quero encontrar...
Você, Marília,
Que não é de Dirceu,
Que não é Maria,
Mas, simplesmente,
Marília!
Simplesmente, poesia!
E agora, Marília?
E agora?
Que atrai e se espelha...
Se espalha e se entrega...
Marília, e agora?
Por quantas anda?
Onde está?
Tão perto e tão longe...
Quais mãos a leram?
Quais olhos a tocaram?
Suas dores, (que não há)
São as minhas alegrias
São as deles também.
É poeta, poetisa, então finge
E ao fingir sente
Este vale de lágrimas.
Se é bíblica, não sei.
Se é literária, não sei.
Se é profunda, eu sei.
Ou profana? Jamais!
Oh!, Marília,
Que pelo seu mar
Eu me desfaço – ilha.
Mar – ilha!
Mar...ilha!
Ilha...Mar!
Marília!
Eu viro e (des) viro
Eu faço e (des) farço (não des-faço)
Mas você, com seu mar,
Suas ondas a me golpear...
Minha farsa se (diz) farsa
E num instante de um traço
Nasce uma breve melodia:
Marília!
É mar...
Se é ilha...
É o fim da trilha!
É pura!
É bela!
É mar!
Não é ilha!
Apenas Marília!
Letícia Andreia 27/08/2003
Para o amigo poeta, Gilberto
Muito bem, seu réu poeta,
teu repouso acorda meus versos
tua ilusão é minha doce mentira
teu amor é meu gozo prfundo
teu sussurro, meu grito mudo
teu erro, minha traição poética
teu sonho embala meus pensamentos
teu soluço, meu nó na garganta
tua observação é meu olho esquerdo
teu descuido, meu único pecado
ao declamares, embriago-me em teus versos
teu sofrimento, simplesmente,
réu poeta, é minha paixão.
Letícia Andréia
Muito bem, seu réu poeta,
teu repouso acorda meus versos
tua ilusão é minha doce mentira
teu amor é meu gozo prfundo
teu sussurro, meu grito mudo
teu erro, minha traição poética
teu sonho embala meus pensamentos
teu soluço, meu nó na garganta
tua observação é meu olho esquerdo
teu descuido, meu único pecado
ao declamares, embriago-me em teus versos
teu sofrimento, simplesmente,
réu poeta, é minha paixão.
Letícia Andréia
Um tango solto rola no ar
Ao imperador clamo a bailar
A nova busca se dispersou
O amor na música se apresentou
Baila Baila comigo
Dá-me o teu calor
Neste bailar colorido
Um tango a mais não fará mal algum
Um violino chama instintivamente
O bandoneón conduz ao ritmo
Pode até mesmo a gaita
Penetrar a alma
No compasso do coração
O bate bate
O bate bate do baixo
Faz vibrar a emoção
E venha comigo bailar
Venga...venga... ouça o violino
Yo me voy
Só mais um tango
Nesta vida quero este gosto
Baila comigo mais um tango
Não me importa que seja o último
Tã Tã Tã ....taaaarãrãrã
Tã Tã Tã ....taaaarãrãrã
Argentina, só mais um tango
Tã Tã Tã rã tã Tã Tã Tã rã tã
Tã Tã Tã rã tã Tã Tã Tã rã tã
Tã Tã Tã ....taaaarã
Tã Tã Tã ....taaaarã
Mesmo que não voltes mais, imperador
Baila comigo só mais um tango
Mais este tango
Tã Tã Tã ....taaaarã
Tã Tã Tã ....taaaarã
Argentina, só mais um tango
Tã Tã Tã rã tã Tã Tã Tã rã tã
Tã Tã Tã rã tã Tã Tã Tã rã tã
Tã Tã Tã ....taaaarã
Tã Tã Tã ....taaaarã
Relembra o olhar que fuzilaste
O rodopiar do bailar no salão
É só mais um tango argentino
Mis manos locas
No se puedo
Tocar con ellas el cielo
Tã Tã Tã ....taaaarã
Tã Tã Tã ....taaaarã
Cómo se equivocaron nosotros
Baila comigo
Pero yo quiero que bailemos este tango
Bien juntitos
Um tango solto
Mas envolto em nossos cariños
Tã Tã Tã ....taaaarã
Tã Tã Tã ....taaaarã
Argentina, só mais um tango
Tã Tã Tã rã tã Tã Tã Tã rã tã
Tã Tã Tã rã tã Tã Tã Tã rã tã
Tã Tã Tã ....taaaarã
Tã Tã Tã ....taaaarã
Letícia Andreia
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Dizem-me louca
Uma loucura gostosa de ser
Um jeito meio muleca
Meio travesso no meio de tudo
No meio do nada
Um jeito feliz de ser louca
Uma loucura feliz de viver a vida...
Falam-me louca
De não entenderem o porquê
O porquê do meu jeito gostoso de ser...
Pensam-me louca
louca
louca
louca
Mas eu digo que ainda sou pouca
Popucas palavras...
Poucos vinhos...
Poucos rios...
Poucas estradas...
Poucos ninhos...
Acreditam-me louca
(doida varrida?)
Não posso crer!
Quão diferentes formas hei de ser?
Quando uns dizem da minha loucura
Sinto o desprezo que têm por mim.
Quando outros dizem da minha loucura
Lamento a inveja que sentem por mim.
Mas alguns...
bem poucos...
Ah! Alguns bem especiais...
Quando dizem, falam, pensam, acreditam...que sou louca
Fazem um carinho gostoso no ego.
É um jeito irregular
De se dizerem amigos
De sentirem orgulho
De se lembrarem
De valorizarem...
Só não posso permitir
O equívoco da loucura de ser poeta
Pois as palavras são muitas
Ecos profundos...
E eu?
Apenas pouca...
Louca!
Letícia Andreia
Uma loucura gostosa de ser
Um jeito meio muleca
Meio travesso no meio de tudo
No meio do nada
Um jeito feliz de ser louca
Uma loucura feliz de viver a vida...
Falam-me louca
De não entenderem o porquê
O porquê do meu jeito gostoso de ser...
Pensam-me louca
louca
louca
louca
Mas eu digo que ainda sou pouca
Popucas palavras...
Poucos vinhos...
Poucos rios...
Poucas estradas...
Poucos ninhos...
Acreditam-me louca
(doida varrida?)
Não posso crer!
Quão diferentes formas hei de ser?
Quando uns dizem da minha loucura
Sinto o desprezo que têm por mim.
Quando outros dizem da minha loucura
Lamento a inveja que sentem por mim.
Mas alguns...
bem poucos...
Ah! Alguns bem especiais...
Quando dizem, falam, pensam, acreditam...que sou louca
Fazem um carinho gostoso no ego.
É um jeito irregular
De se dizerem amigos
De sentirem orgulho
De se lembrarem
De valorizarem...
Só não posso permitir
O equívoco da loucura de ser poeta
Pois as palavras são muitas
Ecos profundos...
E eu?
Apenas pouca...
Louca!
Letícia Andreia

Para um conterrâneo que tenho tanto orgulho em chamar de amigo.
Canta e encanta com teu canto
Ó pássaro sem ninho.
Onde pousas com tua voz?
Onde encontras teu verdadeiro eu?
Quem diria...
que tua voz um dia...
que tua bela melodia...
silenciaria presa na garganta...
com teu canto preso... no oco das ações?
Jamais!
Solta teu canto...
a qualquer canto.
Qual canto a ti mais encanta?
Canta com teu canto o broto da vida.
Aquela vida perdida...
Os dias que não voltam mais...
Canta com teu canto...
o encanto que há na tua terra...
bela e serena.
Tua raiz...
Ó amante da guitarra
Teu lirismo traz alegria
Tuas noites não menos amenas...
nem menos insanas...
Teus dias mais risonhos..
Canta...
mas não senta a pua.
Nem vive apenas a sonhar.
Solta teu canto.
Pois teu canto a mim encanta
e pra ti eu faço um canto,
mas não tem o mesmo encanto
que os versos teus...
Tuas mãos na guitarra...
afrouxam o nó da garganta
e desliza a melodia pela lacuna do tempo.
Canta e encanta com teu canto mágico.
O mais puro...
O amável...
O sensível.
O mais belo canto.
Letícia Andreia
Canta e encanta com teu canto
Ó pássaro sem ninho.
Onde pousas com tua voz?
Onde encontras teu verdadeiro eu?
Quem diria...
que tua voz um dia...
que tua bela melodia...
silenciaria presa na garganta...
com teu canto preso... no oco das ações?
Jamais!
Solta teu canto...
a qualquer canto.
Qual canto a ti mais encanta?
Canta com teu canto o broto da vida.
Aquela vida perdida...
Os dias que não voltam mais...
Canta com teu canto...
o encanto que há na tua terra...
bela e serena.
Tua raiz...
Ó amante da guitarra
Teu lirismo traz alegria
Tuas noites não menos amenas...
nem menos insanas...
Teus dias mais risonhos..
Canta...
mas não senta a pua.
Nem vive apenas a sonhar.
Solta teu canto.
Pois teu canto a mim encanta
e pra ti eu faço um canto,
mas não tem o mesmo encanto
que os versos teus...
Tuas mãos na guitarra...
afrouxam o nó da garganta
e desliza a melodia pela lacuna do tempo.
Canta e encanta com teu canto mágico.
O mais puro...
O amável...
O sensível.
O mais belo canto.
Letícia Andreia
quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Estou predisposta para o ato de escrever.
Momentaneamente a invasão da palavras
venceram meu tempo,
pouco a pouco...
e cá estou.
Transeunte relápsa entre as tumultuadas avenidas das palavras.
Abro os olhos e vejo uma geração dispersa.
Não é perversa - mas seus valores...
se corrompem.
Estou predisposta
E essa predisposição niquila qualquer trabalho poético.
O lirismo torna-se pendente,
o ócio torna-se o ápice.
Cerro os olhos
e o que vejo é a penunbra do passado.
Sua sombra nostálgica.
O pouso da libélula na água...
O círculo me centraliza para musgo.
Eu oca.
E nada faço contra.
Pois estou predisposta para o ato de desescrever.
Letícia Andreia

Homem - Semelhança:
Imagem!
Simbologia!
Dominação!
Homem versus consigo próprio.
Sistemas...
Simbologia.
Real!
Imediato!
Conjunto de abstrações?
- Coração humano!
Real - indisprezível - realigade.
Da mitologia:
Brama
Ícaro e Dédalo
e outros.
A religião.
A fé.
O pó.
O nó.
No princípio era o verbo.
No princípio era Deus.
No intermédio:
nada do que foi se fez.
Que se faça a luz.
Nasce o homem.
Homem:
palavra diviva
imagem e semelhança.
Materialidade!
Abstração?
"É através da materialidade que se apreende a abstração."
Letícia Andréia
terça-feira, 15 de setembro de 2009

Viveu a vida como se vivesse um filme de aventuras.
Poucas horas de sono...
Pouco trabalho...
Pouco dinheiro...
Muitos colegas...
Alguns amigos...
Outras mulheres...
Só no vazio ficava a ver o bonde passar.
Se doente?
- não lembra-se desta passagem.
Viveu a vida
Nasceu a idade
Desvendou o mundo
Vendou a mocidade
Depois de conversar consigo próprio
O exílio!
A solidão!
A fera!
A fraqueza!
A morte!
Não foi para o céu
Nem para o inferno
Nem ficou vagando no limbo.
Diz-se que perdera,
Na Terra, o passaporte.
Letícia Andreia
Poucas horas de sono...
Pouco trabalho...
Pouco dinheiro...
Muitos colegas...
Alguns amigos...
Outras mulheres...
Só no vazio ficava a ver o bonde passar.
Se doente?
- não lembra-se desta passagem.
Viveu a vida
Nasceu a idade
Desvendou o mundo
Vendou a mocidade
Depois de conversar consigo próprio
O exílio!
A solidão!
A fera!
A fraqueza!
A morte!
Não foi para o céu
Nem para o inferno
Nem ficou vagando no limbo.
Diz-se que perdera,
Na Terra, o passaporte.
Letícia Andreia
Há poemas e há poemas.
Palavras acercam meus pensamentos
E eu torto
Quase morto
Sórdido e inerte
Ao vai e vem das palavras
que rodopiam
Incansavelmente
Inerentes ao percurso lento
Da pena ao papel...
Palavras
pa – la – vras!
Onde vou que não as tenho?
Pelo sim
Pelo não...
Enlouquecem a razão
E das palavras
Arranco-lhes o sumo.
O forte
O norte.
Poesia é uma doença contagiosa.
E não tem cura.
Letícia Andreia
Palavras acercam meus pensamentos
E eu torto
Quase morto
Sórdido e inerte
Ao vai e vem das palavras
que rodopiam
Incansavelmente
Inerentes ao percurso lento
Da pena ao papel...
Palavras
pa – la – vras!
Onde vou que não as tenho?
Pelo sim
Pelo não...
Enlouquecem a razão
E das palavras
Arranco-lhes o sumo.
O forte
O norte.
Poesia é uma doença contagiosa.
E não tem cura.
Letícia Andreia
Eis aí os filhos do meu ócio!
Eis que doentes são à procura de ti, leitor.
De mais a mais não adianta fugir.
Passar teus olhos sedentos de mim, a poesia.
Viver meus passos rompidos em letras,
Em pontos,
Em vírgulas,
Em reticências...
Sê reticente não lhe pertence, leitor,
Mas a mim, sim.
De todas estarei atenta
Mas não faças de mim só o puro lamento.
Eis aí os filhos do meu ócio...
Eis que a cura se encontra em ti, leitor.
Letícia Andreia
Eis que doentes são à procura de ti, leitor.
De mais a mais não adianta fugir.
Passar teus olhos sedentos de mim, a poesia.
Viver meus passos rompidos em letras,
Em pontos,
Em vírgulas,
Em reticências...
Sê reticente não lhe pertence, leitor,
Mas a mim, sim.
De todas estarei atenta
Mas não faças de mim só o puro lamento.
Eis aí os filhos do meu ócio...
Eis que a cura se encontra em ti, leitor.
Letícia Andreia
sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Afago poético
Ó amigo,
Dedico a ti
Um pouco de companhia
Um afago ligeiro
Para acariciar teu dia
E quem sabe
O teu medo esvaeça de ti.
Conta teus segredos
E não deixe que hiberne
Teus mais doces sonhos.
Mesmo que lá na caverna
Dos teus mais profundos medos
Ecoe o sussurro
Do passado a passos fortes...
Que não seja jamais a prisão
Do teu mais valioso coração.
Da noite escura...
Das almas perdidas...
Da nossa loucura...
Medos pequenos
Da infância perdida
Que assombra o sótão
Com sua nostálgica melodia.
Sim e não.
Que não seja em vão
Tamanha tortura
Pra essa loucura
De sentir medo
Do teu medo cavernal.
Quais são os gigantes?
Moinhos de vento?
Serias ao mar?
Qual urso polaco?
Qual é teu segredo(?),
Amigo lusitano,
Causador de tanto dano
Em tua alma poética?
A quem se perde, presente amigo,
Senão a augusta chama da inspiração?
Letícia Andreia
Ó amigo,
Dedico a ti
Um pouco de companhia
Um afago ligeiro
Para acariciar teu dia
E quem sabe
O teu medo esvaeça de ti.
Conta teus segredos
E não deixe que hiberne
Teus mais doces sonhos.
Mesmo que lá na caverna
Dos teus mais profundos medos
Ecoe o sussurro
Do passado a passos fortes...
Que não seja jamais a prisão
Do teu mais valioso coração.
Da noite escura...
Das almas perdidas...
Da nossa loucura...
Medos pequenos
Da infância perdida
Que assombra o sótão
Com sua nostálgica melodia.
Sim e não.
Que não seja em vão
Tamanha tortura
Pra essa loucura
De sentir medo
Do teu medo cavernal.
Quais são os gigantes?
Moinhos de vento?
Serias ao mar?
Qual urso polaco?
Qual é teu segredo(?),
Amigo lusitano,
Causador de tanto dano
Em tua alma poética?
A quem se perde, presente amigo,
Senão a augusta chama da inspiração?
Letícia Andreia
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